Data Center Thiago Guimarães 4 min de leitura

Consórcio conclui aquisição de US$ 40 bilhões da Aligned Data Centers e a ODATA entra na jogada

O mercado global de data centers acaba de assistir a um dos maiores movimentos de consolidação dos últimos anos. Um consórcio formado pela Artificial Intelligence Infrastructure Partnership (AIP), pela MGX e pela Global Infrastructure Partners (GIP) — braço de infraestrutura da BlackRock — finalizou a compra de 100% da Aligned Data Centers, negócio que avalia a companhia em cerca de US$ 40 bilhões.

O detalhe que interessa diretamente ao mercado brasileiro: a operação inclui a ODATA, subsidiária latino-americana da Aligned, que mantém data centers em São Paulo, Rio de Janeiro, além de Bogotá, Querétaro e Santiago. Isso coloca o novo grupo controlador com presença direta e relevante no ecossistema de infraestrutura digital da América Latina.

Um portfólio robusto

A Aligned chega a esse novo ciclo com um portfólio de 51 campi e mais de 6,4 GW de capacidade operacional e planejada, distribuídos por praças estratégicas nos Estados Unidos — como Norte da Virgínia, Chicago, Dallas, Ohio, Phoenix e Salt Lake City — e agora ampliado pela presença latino-americana via ODATA.

As ações foram compradas de fundos administrados pela Macquarie Asset Management e de seus coinvestidores, encerrando um processo que já havia sido anunciado anteriormente pelas partes envolvidas.

Mais US$ 5 bilhões para expansão focada em IA

Além do valor da aquisição, os novos controladores se comprometeram a injetar US$ 5 bilhões adicionais para expandir a plataforma da Aligned, com foco claro em ampliar a capacidade de data centers preparados para cargas de trabalho de inteligência artificial — o segmento que hoje concentra a maior parte da demanda por infraestrutura digital em todo o mundo.

Ainda não há detalhamento sobre como esse capital extra será distribuído entre os diferentes mercados em que a Aligned/ODATA atua, nem sinalização específica de novos investimentos para o Brasil.

Gestão permanece a mesma

Apesar da troca de controle, a operação seguirá com a estrutura atual: Andrew Schaap continua como CEO da Aligned, mantendo a equipe de gestão e a sede em Dallas. A empresa deve continuar operando de forma independente, incluindo o avanço em tecnologias de refrigeração voltadas à redução do consumo de água e ao aumento da eficiência energética — um ponto sensível para o setor, cada vez mais pressionado pelo crescimento da demanda energética da IA.

O primeiro grande cheque da AIP

Para a AIP, essa é a estreia como investidora: a parceria foi criada justamente para mobilizar capital destinado à infraestrutura necessária ao processamento de inteligência artificial, com meta inicial de captar US$ 30 bilhões em capital próprio — e, somando financiamento por dívida, projeta apoiar investimentos totais de até US$ 100 bilhões.

Já a GIP (BlackRock) administra mais de US$ 200 bilhões em ativos de infraestrutura, entre energia, transporte, digital, água e resíduos, enquanto a MGX concentra sua atuação em IA, semicondutores, software e automação — uma combinação de perfis que sinaliza forte apetite por escalar rapidamente a plataforma adquirida.

Por que isso importa para o Brasil

Mesmo sem anúncios concretos de novos campi ou cronogramas de investimento para São Paulo e Rio de Janeiro, a movimentação reforça uma tendência que já vínhamos acompanhando no Portaldocloud: grandes fundos de infraestrutura globais estão de olho — e apostando pesado — no mercado latino-americano de data centers, impulsionados pela corrida por capacidade computacional para IA. A ODATA, agora sob um consórcio ainda mais capitalizado, pode se tornar protagonista dessa próxima onda de expansão na região.

Vale acompanhar os próximos passos: se parte desse capital adicional de US$ 5 bilhões vier a ser direcionado para o Brasil, isso pode significar novos campi, mais capacidade energética disponível para provedores de nuvem e IA, e um salto na competitividade do país como hub de infraestrutura digital na América Latina.

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